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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Bamos. Mas voltamos.

Muitos brasileiros estão ilegais na Espanha.

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Clandestino
Manu Chao, México.

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazón
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel

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Um em quatro imigrantes na Espanha é pobre, diz relatório
5/09/2008
BBC Brasil, em Madri

Brasileiros

Com cerca de 800 requisições à espera, os brasileiros estão entre as cinco nacionalidades que mais têm pedido para voltar, atrás de bolivianos, argentinos, colombianos e equatorianos. Mas o número ainda é considerado pouco.

"Calculamos que 75% dos latino-americanos insistem em ficar. Primeiro, porque não querem renunciar às licenças de trabalho e residência (condições prévias para o retorno); segundo, porque muitos não cumprem os requisitos estando ilegais; e terceiro, porque quando vêem que o processo não é imediato decidem procurar outras alternativas", disse Manuel Pombo, diretor da Organização Internacional para as Migrações (OIM).




A porta-voz do serviço de atenção aos imigrantes da Cruz Vermelha, Carmen de la Corte, acredita que, apesar da crise, muitos estrangeiros continuarão tentando se manter na Espanha. "São trabalhadores flexíveis, passam de um setor a outro e têm mobilidade geográfica. Isso amplia suas possibilidades. Eles se adaptam melhor que os europeus aos tempos de crise",

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Total de brasileiros na Espanha mais que dobrou em três anos
24/3/2008
BBC Brasil, Madrid


O aeroporto de Madrid é um dos mais movimentados da Espanha.

Os brasileiros descobriram a Espanha como uma nova rota de imigração ilegal. Não só para entrar em outros países europeus, mas como lugar de trabalho e residência sem documentação.
Nos últimos três anos, o número de imigrantes do Brasil em território espanhol mais que dobrou e continua aumentando, segundo as estatísticas de ONGs como a S.O.S Racismo.

Segundo a organização, havia cerca de 30 mil brasileiros na Espanha em 2005. Em 2007, esse total chegou a 80 mil, um aumento de 166%. As estatísticas do Itamaraty apontam para um total ainda mais elevado, de até 115 mil brasileiros vivendo na Espanha.



Quando se consideram apenas os brasileiros em situação legal, usando por base dados do Ministério do Interior da Espanha, o aumento é menor, porém também considerável. Em 2004, havia 17.524 com documentação legal. Em 2006 (dados mais recentes disponíveis), esse total aumentou 72%, chegando a 30.242.

Para os especialistas, essa "invasão brasileira" (tal como é vista por muitos espanhóis), tem uma razão ecônomica e estratégica.

Os preços de passagens para a Espanha costumam ser mais baixos do que para outros destinos europeus e não há necessidade de visto para embarcar. Outro fator seria a maior facilidade para entrar, já que a Espanha, apesar do destaque dado pela imprensa a casos recentes de impedimento de entrada, ainda é considerada por muitos menos rigorosa do que outros países.

Anistia

Existe também o chamado "efeito rede".



"Há duas referências inegáveis para esse fenômeno", disse à BBC Brasil o sociólogo Antonio Izquierdo, autor do estudo Demografia dos Estrangeiros. "Uma foi a anistia de 2006. O governo legalizou 600 mil imigrantes transformando-os em contribuintes, o que foi positivo, mas essa legalização acabou atraindo muita gente".

A outra é produzida pelos que chegam antes e abrem possibilidades. Se um brasileiro consegue se estabelecer, se converte em estímulo para outros compatriotas. É uma corrente contínua, difícil de interromper. Controlar o fluxo migratório 100% é impossível”, completou Izquierdo.

O aumento do controle nas fronteiras de Portugal, Grã-Bretanha e Itália são, segundo a polícia, outra razão do desvio da rota de imigração para a Espanha nos últimos três anos.

Perfil

Segundo uma pesquisa recente, a maioria dos imigrantes brasileiros no país, 66,2%, está ilegal, mas consegue trabalhar em setores como a construção civil e o serviço doméstico. Dos que têm licença de trabalho, 66,8% são mulheres entre 30 e 40 anos.

"A adaptação não é fácil", disse o cientista social Daniel Wagman, que fez o levantamento para o Centro Europeu contra o Racismo e a Xenofobia.

O relatório revela que 81% dos imigrantes estrangeiros na Espanha não se sente acolhido pelo bairro onde mora, 72% têm problemas para alugar um imóvel e 65% dividem acomodação com compatriotas por falta de dinheiro ou outras circunstâncias. Chegam a alugar camas por horas, vivendo em condições sub-humanas.



Quarto em porão

O carioca C.S., 30 anos, é um exemplo dessa série de dificuldades. Está em Madri desde agosto do ano passado, mas já pensa em voltar para o Brasil.

Professor de educação física em academias do Rio de Janeiro, onde ganhava R$ 1,6 mil por mês, desembarcou na Espanha incentivado por um amigo brasileiro que chegou seis meses antes. Tinha a promessa de dividir apartamento, ter trabalho garantido e ainda desenvolver uma carreira internacional como lutador de vale-tudo.

A oferta era real. Mas longe do esperado. C.S. mora em um porão sem luz natural com mais dois brasileiros, treina vale-tudo com os amigos e trabalha nas noites de sexta e sábado como porteiro de uma discoteca. Pelo único trabalho que conseguiu, ganha o equivalente a apenas R$ 936 por mês.

"É muito dífícil. Sem documentos, não dá para conseguir emprego, nem alugar um lugar bom para morar. Se não conseguir trabalho, vou ter que voltar. Não quero, mas estou ficando sem dinheiro. A gente vem para cá pensando em ganhar muito e rápido, mas só quem encara é que sabe que não é mole", desabafou.

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